05 janeiro 2016

O TAO DA POESIA



A poesia é de longe, pelo menos para os poetas, a linguagem de maior potência de significação (“a mais condensada forma de expressão verbal”, dizia Pound), e não é de espantar a variedade de percepções, de leituras, de idiossincrasias, de práticas que permeiam a poética contemporânea e, evidente, a sua recepção. Tão diversas como o são os próprios seres e seus interesses.

Roland Barthes foi um dos teóricos que caracterizou a linguagem poética como sendo um desvio consciente e sistemático da norma linguística. Podemos acrescentar que não só da norma linguística. A linguagem poética prima por desviar-se de qualquer tipo de normalidade, de adequação social, histórica, mercadológica e existencial. Pelo menos o que costumamos chamar — os envolvidos com o fazer poético — de poesia digna de nota.

Venho trabalhando com essa perspectiva multifacetada da poesia, e do fazer poético, buscando uma atualização contemporânea da poesia em constante diálogo (e compreensão) com a tradição, suas formas cristalizadas pela história e as readequações da modernidade, das vanguardas e, agora, com a influência determinante da internet.

Por conta dessa complexidade, a Oficina trabalha simultaneamente com a leitura de textos teóricos, com a leitura e interpretação de poemas representativos das várias tendências poéticas e, também, com o exercício prático de algumas possibilidades de formas fixas (o Soneto, o Haicai), e não fixas, assim como de seus inúmeros temas.

Ao final da Oficina o interessado deverá ser capaz de, pelo menos, ter uma concepção mais crítica e informada do fazer poético em geral e de seu próprio fazer poético. Fazer poemas é, antes de mais nada, perder a ingenuidade com a linguagem.



Conteúdo Programático

[A Oficina é formada sobre dois eixos que se mesclam em cada encontro]


1. Características da poesia: do que é feita? (material); Com o que se parece? (aspectos formais); Para que serve? (causa final); Quem a faz? (causa poiética).

As distinções fundamentais entre a prosa e a poesia.
As formas fixas na poesia. A estrutura do soneto. A canção. A oralidade.
Definições para quem gosta delas. O que os poetas dizem sobre o fazer poético.
Exemplos práticos (análise e construção). Sonetos de Petrarca, Camões, Augusto dos Anjos e Glauco Mattoso.
A poesia moderna. Temática. A métrica. O Verso branco. O enjambement.
Análise de alguns poemas emblemáticos (Ferreira Gullar, Drummond, Manuel Bandeira, Augusto de Campos, Fernando Pessoa, João Cabral, Manoel de Barros, Leminski, Borges)
Haicai: uma homenagem a síntese. O caso MatsuoBashô.
A Poesia Concreta e a Internet.
Função poética e Jakobson.

2. Exercícios e discussões em grupo: a abordagem da Oficina é iminentemente prática, mas sem prescindir dos aspectos teóricos. Escrever é antes de tudo aprender a pensar e a questionar.

Como analisar um poema. Exemplos e exercícios.
O soneto como a forma fixa mais tradicional. Exercitar.
Transformando um texto de jornal em poema.
Criação de metáforas. A imagem na poesia.
A sonoridade expressiva da poesia. O som e o sentido.
Concisão. O haicai como exercício poético. A renga.
Composição de poemas a partir de sugestões imagéticas.
Poema com repetição de uma definição.
Fazendo um poema do sonho alheio.
A importância do blogue como exercício de criação.
O mercado editorial: sua lógica e especificidade.
Dicas para a primeira edição.




Edson Cruzé escritor e editor do portal MUSA RARA (www.musarara.com.br). Graduado em Letras pela USP, publicou três livros de poesia, uma adaptação em prosa do clássico indiano Mahâbhârata e um livro de depoimentos sobre o que seria a Poesia. Seu poemário mais recente, Ilhéu (Editora Patuá), foi semifinalista do Prêmio Portugal Telecom 2014. E-mail: sonartes@gmail.com

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